A beleza e os desafios do tempo
- Priscilla Machado

- 21 de out. de 2025
- 1 min de leitura
Atualizado: 18 de nov. de 2025
Rugas, cabelos brancos, dentes frágeis, mãos marcadas pelo tempo. Cada traço é uma lembrança e uma história contada pela pele. Mas, em vez de serem vistas como símbolos de experiência e sabedoria, essas marcas muitas vezes se tornam motivo de exclusão.
Vivemos em uma sociedade que valoriza o novo, a velocidade, a juventude, e trata o envelhecimento como algo a ser temido. Esse olhar revela uma forma silenciosa, porém profundamente enraizada, de preconceito: o etarismo.
O etarismo é a discriminação baseada na idade. Ele se manifesta quando alguém é considerado “velho demais” para um emprego, para aprender algo novo, para se vestir de certo modo, para amar ou até mesmo para ser ouvido. A idade se transforma em barreira e reduz as pessoas a estereótipos – frágeis, ultrapassadas, desatualizadas –, e apagando o valor existente em cada fase da vida.
Esse preconceito atravessa gerações porque também molda o modo a forma cada um de nós passa a enxergar o próprio envelhecimento. Questionar o etarismo é repensar a ideia de tempo. É entender que envelhecer não é significa perder algo, mas continuar se transformando. É aceitar que as marcas do no corpo são testemunhas de quem fomos, de quem somos e de quem ainda podemos nos tornar. A passagem dos anos é inevitável, mas a forma como olhamos para ela pode, sim, mudar.
Como diz Ninny Threadgoode, personagem do filme Tomates Verdes Fritos (1991): “Acho que envelhecer é apenas outra palavra para viver”.



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